1.2.
Aprender com o vídeo e a câmera. Para além das câmeras, as ideias.
Texto de
Laura Maria Coutinho.
As
inúmeras possibilidades de uso de narrativas audiovisuais que as novas câmeras
de vídeo, bem mais amigáveis do que as de cinema, trariam. E as câmeras chegaram
razoavelmente acessíveis; estão aí, à mão, para serem usadas e, se possível,
bem utilizadas.
Com
uma câmera de vídeo dentro da sala de aula ou da escola, os alunos, ao criarem
seus próprios produtos audiovisuais, tendem a repetir os modelos massificados
que estão acostumados a ver diariamente nas telas da televisão e, em menor
escala, do cinema.
Talvez
o grande desafio para a educação na sociedade tele midiática seja justamente o
de estimular a expressão dessa complementaridade que permanece, muitas vezes,
latente entre a educação e as mídias, em especial a televisão, por ser aquela
que, hoje, consegue alcançar o maior número de pessoas e compõe de igual
maneira, o cotidiano de professores e alunos, supera a hierarquia imposta pela
escola e transforma todos os envolvidos no processo em telespectadores dos
mesmos programas, das mesmas imagens e sons.
Essa
nova cultura tele midiática, ou seja, essa nova forma de estar no mundo, está a
desafiar professores, alunos, sistemas de ensino. Todos podem aprender com a
televisão, que, aliada a outras técnicas, está aí exigindo uma nova postura
educacional da sociedade. Educar com a televisão abrange atividades que lançam
mão da linguagem televisiva para a apresentação e o desenvolvimento de
determinados assuntos ou conteúdos. E também aquelas ações, ainda raras, que
introduzem o aluno no universo da realização audiovisual, possibilitando a
expressão e a criação próprias por meio dessa nova linguagem.
Assim,
uma educação que envolva a mídia precisa revelar o cerne da linguagem e dos
produtos dessa cultura audiovisual, buscando aprofundar a compreensão da forma
de expressão televisiva, assim como é feito há muito nas escolas, com maior ou
menor sucesso, com a literatura, por exemplo, para além da simples recepção e
produção. Exige uma preparação prévia que, talvez, possa evitar uma prática
recorrente nas escolas que é a da utilização dos produtos da linguagem audiovisual
para passar o tempo vago ou liberar o professor para a realização de outras
atividades o audiovisual alcança níveis da percepção humana que outros meios não.
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